Via de regra, quando estamos com algum problema psicológico e/ou emocional, recorremos a um psicólogo da mesma forma que quando estamos com algum problema físico recorremos a um médico. A psicoterapia (terapia com psicólogos) realmente é excelente para auto-conhecimento, além de ser um caminho para ressignificar momentos de conflitos que nos perturbam até hoje. Porém, algumas pessoas têm resistência em procurar esse tipo de tratamento. E por que? Algumas razões mais comuns são:

  • Tenho vergonha de expor meus sentimentos, principalmente a um estranho;
  • A irmã da amiga da minha tia faz psicoterapia há anos e continua igual;
  • Só loucos passam por psicólogos (e eu sou normalzinho, graças a Deus!);
  • Não acho que funcione;
  • Pra mim, passado é passado, não entendo por que tenho que ficar relembrando coisas que eu mesmo já enterrei (Será?? Vale a pena dar uma lida nesse artigo aqui);
  • Tenho medo de ficar dependente;
  • Tenho medo de trazer à tona questões que me incomodam;
  • Não tenho condições financeiras para pagar uma terapia com psicólogos; tenho muito problemas e sei que vou precisar de várias sessões pra me sentir melhor.

Felizmente, em pleno século XXI, temos várias opções de tratamentos que buscam um caminho alternativo para resolver as mesmas questões que a psicoterapia tradicional se propõe a tratar: são as chamadas terapias alternativas ou holísticas, sobre as quais falo um pouco aqui.

E no que a terapia holística TFT difere da psicoterapia, na prática?

Bom, em primeiro lugar, a abordagem é outra. Na psicoterapia, o cliente relata os seus incômodos e tem na figura do psicólogo um facilitador para ressignificar esses momentos perturbadores. Você já se pegou falando: “Nossa, não sei por que a Maria não se separa logo do João. Ele já a traiu com metade da vizinhança e ela sabe disso e mesmo assim não se separa! Essa daí gosta mesmo de levar uns galhos; se fosse eu, já teria me separado faz tempo”. Será??

Pra começo de conversa, há muita diferença entre vivenciar o problema e opinar sobre um problema alheio. Quando estamos passando pelo problema, é como se estivéssemos no olho de um furacão; a confusão mental e emocional é tão grande que parece que tudo nos arrasta pra dentro dele. Quem vê de fora é como se estivesse há 100 quilômetros do furacão, ou seja, o furacão não tem absolutamente poder nenhum sobre a pessoa. É provável que você, vendo a cena, questione-se: “Meu Deus do céu, mas por que ele não se agarra àquela viga de aço que está ali intacta do lado dele pra sair desse furacão?”. Agora te pergunto: você jura que consegue ver uma bendita de uma viga de aço paradinha do seu lado quando ao seu redor estão passando cobras, lagartos e vacas voadoras por conta do furacão??

Pois é mais ou menos assim que funciona a psicoterapia: você conta os seus infortúnios ao psicólogo, que por não estar passando pelo problema, consegue vê-lo com o distanciamento necessário para te auxiliar a encontrar a solução para a tal questão. Com essa ajuda, você deixa de ver a vaca voando (que representa a confusão mental pela qual você está passando) e passa a ver a viga de aço (que representa a forma de se ver fora daquela situação).

Vacas e vigas à parte, é óbvio que na prática esse processo não é tão simples assim. Como temos a tendência de reprimir aquilo que nos incomoda, é bem difícil encontrar uma maneira de ressignificar uma questão que te perturba hoje e que pode estar nas profundezas do seu ser, guardado num cofrinho a 7 chaves que você esconde até de você mesmo. Todos nós acumulamos experiências dolorosas que preferimos esquecer a tratar. Mas o que é esquecido pelo consciente, é constantemente lembrado pelo inconsciente e domina a nossa vida em todos os aspectos. É o que o famoso psiquiatra e psicoterapeuta Carl Jung chama de “a sombra”. Lembra quando você era pequeno, que seus pais se divorciaram e de repente você, que via seu pai todos os dias, passou a vê-lo a cada 15 dias? Pronto, bastou isso para o circo se armar. O sentimento de rejeição, baixa auto-estima e talvez até de culpa já tomou conta do seu ser. E não adianta saber hoje, conscientemente, que seu pai nunca deixou de te amar e que essa era a regra que a sociedade impunha para pais separados verem seus filhos. Naquela época, do alto dos seus 2 anos, o máximo que você conseguia compreender é que seu pai não te amava mais, ou que talvez você tivesse feito alguma coisa errada para ele não querer mais estar do seu lado todos os dias, ou que talvez não era merecedor do amor dele. E toda essa compreensão (equivocada) ficou registrada no seu inconsciente. Você imaginava que seu problema de carência emocional que acaba por te tornar uma pessoa extremamente possessiva e ciumenta hoje pode ter as raízes nesse episódio tão remoto? Já imaginou o trabalho que dá fazer a conexão entre um fato de hoje e um fato de anos, talvez décadas atrás? E pior: além de fazer a conexão, você ainda tem que trabalhar para ressignificar esses sentimentos, trazendo vários aspectos do inconsciente para o consciente. Entende por que há pessoas que passam anos fazendo psicoterapia e têm muito pouca melhora?

(Em tempo: esse caso foi um exemplo ilustrativo de como certos sentimentos podem ter surgido em nossas vidas; não se trata de uma regra. Cada pessoa percebe o que acontece com ela de uma maneira, por isso somos seres individuais e temos cada um a nossa própria verdade).

Pois bem, é aqui que entram os benefícios do TFT. Em primeiro lugar, você não precisa necessariamente saber onde está a raiz, ou raízes, dos seus problemas. Você simplesmente relata o que te incomoda hoje. Ao tratar essa questão, outras questões, que estavam debaixo dessa principal, começam a surgir. É como descascar uma cebola: você só consegue acessar o que está nas camadas mais internas quando remove as externas. “Ah, mas então eu trato um problema e arrumo 20??” Veja bem, os 20 problemas já estavam aí dentro de você. O que o TFT faz é trazê-los à tona, de um nível inconsciente para o nível consciente, onde aí sim é possível tratá-los. O fato deles estarem aí “escondidos” não significa que estavam quietinhos; muito pelo contrário, eles estavam dominando a sua vida sem você se dar conta, por isso você procurou ajuda! Eram eles que te impediam de ver a viga de aço no meio do furacão.

Conforme essas questões mais profundas vão surgindo, você vai tratando cada uma delas. Como o método de tratamento do TFT é bem rápido, você não demora dias, meses ou até anos para se ver livre daquilo que te incomoda. Em uma sessão você já consegue ver melhoras expressivas.

E como essas questões mais internas vão surgindo? Através de “insights”(durante o tratamento de uma questão, outros pensamentos surgem espontaneamente em sua cabeça, indicando questões mal resolvidas do passado), ou através de manifestações físicas, que nada mais são do que a reverberação de um problema emocional. Para o TFT, não importa como a questão se apresente para tratá-la.

Podemos, por exemplo, nos deparar com uma dor física crônica que, até então, achávamos ser algo exclusivamente físico. Como hoje sabemos que corpo, mente e energia fazem parte de um sistema só, qualquer manifestação física tem raízes emocionais e energéticas (para quem não está familiarizado com isso, posteriormente escreverei um artigo sobre psicossomática, que trata com mais profundidade sobre essa questão das origens das doenças em nosso corpo). Mas e para saber qual foi a questão emocional que desencadeou o desequilíbrio do nosso sistema, levando-nos a sentir a dor no nível físico? Na psicoterapia convencional isso pode levar muito tempo justamente pela dificuldade de se acessar o inconsciente da pessoa. No TFT nem é preciso descobrir a causa: trata-se o sintoma físico e a causa emocional é eliminada junto, já que estão interligados.

Outro ponto positivo para o TFT: não é preciso relatar os fatos que te incomodam. Basta apenas sintonizar o fato com o seu pensamento e relatar ao terapeuta qual sentimento vem à tona. Essa é uma grande vantagem em relação à psicoterapia convencional porque muitas vezes nos sentimos constrangidos de falar sobre o que nos incomoda. Dificilmente você vê psicoterapeutas que aceitam tratar pessoas próximas (parentes, amigos) porque conhecendo a pessoa, fica difícil manter distanciamento do problema a ponto de poder ajudar o outro a enxergar uma solução. Como no TFT não é preciso explicar o problema, você pode inclusive até tratar uma questão que te incomoda a respeito do próprio terapeuta, e ele nunca ficará sabendo.

Por fim, há uma vantagem crucial do TFT sobre a psicoterapia. Muitas vezes conseguimos até descobrir as razões que nos levam às emoções e comportamentos de hoje, porém temos muita dificuldade em ressignificar esse conteúdo. Posso até descobrir que as raízes da minha raiva vêm de determinado episódio da infância, mas ainda assim não consigo controlar a minha raiva. Nesses casos, o TFT é um grande aliado da psicoterapia, pois ressignifica com muita facilidade conteúdos trazidos do inconsciente para o consciente.

Quer saber mais? Deixe sua pergunta nos comentários!

No próximo post, publicarei um teste de personalidade baseado em respostas do seu inconsciente; não perca!

Abraços,

Kátia Figueiredo

Diferenças entre a abordagem da psicoterapia e o TFT
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