Existem determinados temas que são recorrentes em minhas consultas. Vou listar alguns e observe se de alguma forma você se identifica com eles ou te surgem algumas situações parecidas na cabeça:

  • Dificuldade em terminar relacionamentos. Você já está há anos com a pessoa e percebe que não sente mais nada por ela, além de um carinho e respeito muito grande. Aí você se pergunta: poxa, mas não dizem que a paixão de início de relacionamento não dura para sempre, mesmo? Que depois de um tempo a paixão vira amor, e aí tudo fica mais estável, mais calmo, mais monótono, mais cinza, mais entediante, mais irritante, mais irrelevante… Epa, será que é assim mesmo??
  • Dificuldade em mudar de área profissional. Exemplo clássico: sou muito bem remunerado no meu trabalho, estudei e me especializei nisso e sou reconhecida pelo meu chefe. Mas quando chega domingo, na hora que toca a música do Fantástico, a vontade que tenho é de arrancar os olhos com as próprias mãos pra ter uma desculpa pra não trabalhar no dia seguinte. Ok, sei que já não aguento mais o que faço, mas como vou recomeçar do zero agora?? E como faço pra manter o meu padrão de vida atual se tiver que voltar a ganhar um salário de estagiário?
  • Dificuldade em mudar de emprego. Nesse caso, você ganha mal, se mata de fazer hora extra, dá o seu sangue pela empresa e, ainda assim, só ouve desaforo do seu chefe. Sempre olha as vagas disponíveis em outras empresas, mas dificilmente manda seu currículo. Os motivos são vários: ah, aqui é ruim mas pelo menos é do lado de casa, logo logo fulano vai sair e eu sei que vou ser promovido, o pacote de benefícios daqui é muito bom, vai que eu não me adapto à outra empresa, etc.

Em todas essas situações, a resistência em tomar uma atitude é grande. Por que é tão difícil mudar? Cada uma das situações acima tem fortes questões emocionais por trás que dificultam a nossa tomada de decisão. No caso do relacionamento, pode ser uma carência emocional que leva ao medo de ficar sozinha, ou à insegurança, ou ao medo de decepcionar os outros (seja o parceiro, seja a família que é muito apegada a ele). No caso da mudança de área, pode ser o medo de desconstruir uma imagem que você construiu para si mesmo e pela qual todos o conhecem, o medo de fracassar, de ter que abrir mão temporariamente de algumas coisas da vida. No caso da mudança de emprego, pode ser uma auto-estima baixa que faz com que pensemos não sermos capazes de conseguir um emprego melhor, alguma culpa em qualquer área da vida que faça com que você não se veja como merecedor de algo melhor, medo de se arriscar.

Independente do que haja por trás de cada questão (ou de qualquer outra que você possa ter imaginado), fato é que há uma semelhança em todas: o medo de deixar a sua zona de conforto. Sabe aquela história de que aonde você está é ruim, te incomoda, mas você já está acostumado com isso e, além do mais, mudar poderia ser pior? Então… E o que poderia ser pior do que ficar sem fazer nada e continuar sentindo o incômodo que você sente?

É exatamente disso que quero falar. Se você já está infeliz, o que você tem a perder se mudar? Como diz aquele dito popular, “não se pode esperar resultados diferentes fazendo as coisas da mesma forma.” Mesmas ações, mesmos resultados. Quer resultados diferentes? Então está nas suas mãos agir de forma diferente!

Nós somos seres de hábitos. Nós tendemos a criar rotinas para facilitar as nossas vidas. Quando fazemos sempre as mesmas coisas, nós entramos em “piloto-automático”, e tendemos a gostar disso porque nos economiza uma grande quantidade de energia. Aposto que quando você aprendeu a dirigir, tinha dificuldades em tirar o pé do freio, pisar na embreagem, engatar a marcha, olhar no retrovisor e dar a seta ao mesmo tempo, né? Imagine fazer tudo isso com o rádio ligado então, ou mudando a estação do rádio? Deve ter demorado um tempo pra você se sentir confortável em ligar o rádio e mudar as estações enquanto dirigia. E por que no começo era difícil e depois ficou fácil? Porque o seu cérebro já havia assimilado o bê-a-bá da direção e você fazia todos os comandos de forma automática, economizando energia.

Nosso corpo adora tudo aquilo que nos possa economizar energia, porque entende que em uma situação de perigo, teremos uma reserva de energia extra pra gastar. Além disso, há a questão da auto-preservação: corro menos risco de me machucar fazendo algo que já domino do que tentando fazer algo novo. E o “machucar” aí estende-se para a parte emocional também: corro menos risco de me machucar emocionalmente ficando na minha casinha aquecida e confortável (zona de conforto) do que se eu for pra rua. Aqui dentro eu sei onde fica a geladeira, o fogão, todas as minhas coisas tem um lugar; lá fora é desconhecido, e eu temo aquilo que não conheço. Mas chega algum momento na vida que somos obrigados a ir pra rua comprar mantimentos pra poder cozinhar no aconchego do nosso lar, né?

Lembra quando falamos sobre como a questão da preguiça está diretamente relacionada aos nossos bloqueios energéticos nesse post? Ficar na zona de conforto é prático, porém chega uma hora que nosso ser demanda mais energia, e toda mudança é carregada de energia. Observamos que é chegado o momento de mudar (renovar as energias) quando a zona de conforto já não é tão confortável assim, quando estar preso a ela nos incomoda em algum nível. Conseguimos perceber literalmente que nossas energias estão baixas pelo desânimo e falta de vontade que sentimos em nosso dia-a-dia.

Ficar na zona de conforto significa se manter estável. E se manter estável é confortável e prático, mas não há como crescer sem sair da estabilidade. Nós somos seres com capacidades infinitas e e nesse ponto todos nascemos iguais. Todos perseguimos (conscientemente ou não) crescimento, desenvolvimento, evolução. E para evoluirmos precisamos mudar, e para mudar temos que sair da nossa zona de conforto. Somos nós quem traçamos os nossos caminhos. Você quer achar o diamante que caiu no fundo do poço? Pra encontrá-lo, vai precisar agitar a água do poço, e toda a lama que estava quietinha lá embaixo vai vir à tona. E é exatamente aí que mora a dificuldade. Quem tem coragem de mexer naqueles aspectos que nos incomodam (nossos medos, inseguranças) e que estão escondidos nas profundezas do nosso ser? Mudar é difícil porque toda mudança começa primeiro dentro da gente. E mudar o que está dentro de nós significa remexer a lama do poço pra encontrar o diamante. É desconfortável, mas não vale a pena quando achamos o diamante?

Mudar não significa necessariamente “mudar radicalmente”. Você não precisa terminar o seu relacionamento; você pode manter um diálogo com o seu parceiro sobre as suas insatisfações mútuas e procurar alternativas pra reacender a chama da paixão. Você não precisa jogar tudo pro alto pra começar do zero em alguma outra área; você pode diminuir o seu ritmo atual enquanto toca o seu novo projeto paralelamente. Você não precisa mudar de emprego, você pode traçar uma meta e assumir uma postura diferente na empresa atual para que consiga atingir os seus objetivos de crescimento.

Entende? Seja a 10 por hora ou a mil, mudanças devem ser feitas de tempos em tempos. O problema é que geralmente encaramos mudanças com imediatismo, como algo que deva ser feito da noite pro dia, e isso ativa o nosso medo do desconhecido. Pra maioria das pessoas, mudar aos poucos é o melhor caminho: podemos deixar o conforto do nosso lar para colocar os pés lá fora e sentir a brisa batendo em nosso rosto em um dia, no outro podemos arriscar dar alguns passos até a casa do vizinho, e quem sabe no outro já consigamos ir até a padaria da esquina comer um pão na chapa?

Portanto faço um convite a você, caro leitor. Encare a mudança que você precisa fazer na sua vida como uma jornada de auto-conhecimento. Mesmo que você não atinja os resultados esperados, só o movimento e o desconforto que você provocou em si mesmo e que você teve que lidar já serão suficientes pra você se conhecer melhor e, ao se conhecer melhor, suas chances de sucesso em qualquer área da vida aumentam consideravelmente. Ficar cara a cara com emoções que nos aterrorizam pode parecer sofrimento à toa, mas essa é a única maneira que você tem para poder ressignificar conteúdos que, se não fossem pelas mudanças que você se forçou a fazer, continuariam agindo de forma inconsciente em você, te sabotando a cada dia.

Quer dizer, tradicionalmente esta seria a única maneira de ressignificar conteúdos sabotadores. Mas por sorte o Dr. Roger Callahan desenvolveu o TFT e nos presenteou com a oportunidade de mudar aspectos que nos incomodam em nossas vidas de uma maneira muito mais rápida e, definitivamente, muito menos dolorosa. 

Se você está em um ponto em que até compreende o que está por trás do seu medo de mudar e mesmo assim não consegue ultrapassar essa barreira, te convido a conhecer o TFT (vide esse post). Talvez uma sessão seja o suficiente para dar o empurrão que você precisa para realizar os seus sonhos!

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Abraços,

Kátia Figueiredo

Por que é tão difícil mudar?
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