Uma queixa bem comum que costumo ouvir dos meus clientes é raiva: da mãe, da sogra, do marido, da amiga, do chefe, do irmão… A raiva nos cega, nos tira do nosso centro. Quando ela entra em cena, ela domina nosso corpo e nossa mente. Não conseguimos evoluir em nenhum tratamento emocional se não eliminarmos a raiva primeiro. E o que observo é que uma vez que tratamos a raiva, outro sentimento comumente aparece: a mágoa. Te convido a fazer uma análise mais profunda sobre essa questão. Vamos levar essa conversa a um outro nível: o que está por trás da mágoa?

Veja se você já passou por alguma situação parecida ou conhece alguém que já passou por qualquer um dos exemplos abaixo:

  • Eu deixei a minha vida de lado pra cuidar do meu filho e agora que ele cresceu, não se dá o trabalho nem de me ligar pra saber se estou bem!
  • Dediquei a minha vida ao meu marido e ele me trocou por outra!
  • Dei o meu sangue pela empresa e agora me mandam embora, justamente quando eu mais preciso de dinheiro!
  • Ajudei minha amiga no momento mais difícil da sua vida e agora que estou precisando, ela nem sequer oferece ajuda!

Você consegue identificar algo em comum em todas as queixas acima, além da mágoa, obviamente? Pois bem, por trás de cada mágoa, existe sempre um fator que a dispara, e esse fator se chama EXPECTATIVA.

Nós nascemos e crescemos em uma sociedade baseada em trocas, e isso significa que somos interdependentes em vários aspectos das nossas vidas: seria muito difícil uma pessoa sobreviver sozinha, tendo que plantar tudo o que come, costurar a roupa que veste, construir a casa em que mora… Enfim, viver em sociedade facilita as nossas vidas. É uma troca constante de produtos/serviços, geralmente intermediadas por dinheiro, que facilita o processo de precificação/valor daquilo que se pretende adquirir versus aquilo que se pretende colocar à disposição. Isso é tão automático em nossas vidas que nunca paramos pra observar esse fenômeno; é algo que já faz parte do nosso inconsciente coletivo.  Inconscientemente lidamos com os nossos relacionamentos da mesma forma que lidamos com tudo o que nos cerca: na base da troca. Logo, se fazemos algo por alguém, nada mais justo do que receber algo em troca, correto?

Não, isso não é correto. É aí que mora a confusão. Pelo menos no campo emocional/afetivo, as relações não funcionam desse jeito. E por que não funcionam? Porque não dá pra quantificar/precificar sentimentos, emoções. Não se “compra” afeto, carinho, amor, dedicação. Tudo isso pode ser conquistado, mas não comprado: sentimentos genuínos não estão à venda no mercado da esquina. Porém, como estamos acostumados a ver o mundo sob essa ótica, achamos que temos “direito” de receber de volta tudo aquilo que, no campo do sentimento, voluntariamente doamos a alguém. E é por isso que há tanta mágoa no mundo: geralmente achamos que o que recebemos em troca daquilo que ofertamos é pouco perto do que merecemos. Mas o que é a sensação de achar que merece algo senão uma mera expectativa?

Nesse ponto, peço sua atenção para que você se conscientize de uma coisa: nós somos 100% responsáveis por tudo aquilo que afeta as nossas vidas (assunto para um próximo post). Portanto, antes de continuarmos a falar sobre isso, atente-se para a sua parcela de culpa em cada ressentimento guardado em seu coração. A pessoa que te magoou só o fez porque você havia criado uma determinada expectativa sobre ela. Você esperava que ela agisse dessa maneira. Sabe aquela frase: “Ah, mas se fosse eu, teria feito de outra forma?”. Pois bem, risque essa frase da sua mente, da sua consciência, da sua vida! Primeiro porque ela não faz o menor sentido: que diferença faz você ter outra opinião sobre aquilo que uma pessoa faz ou deixa de fazer? Isso não muda a realidade da sua vida e nem da dela! Segundo porque ela só serve para te manter no mesmo estado mental de vítima e/ou de julgamento e, novamente, isso não vai te ajudar a superar a questão que te incomoda.

Entenda uma coisa: sua carência emocional te faz criar expectativas, e ao fazer isso, você joga no colo de outra pessoa a responsabilidade de satisfazer as suas próprias necessidades! Você acha isso justo? Repasse mentalmente toda a situação que te fez ficar magoado com alguém e tire dessa cena a parte onde você espera que ele haja de determinada forma. Ainda faz tanto sentido ficar ressentida com a pessoa? “Ah, mas não é que eu criei expectativas, foi a pessoa que prometeu tal coisa e não cumpriu…”. Pois bem, a vida é feita de escolhas. Você tem total controle sobre as escolhas que você toma, mas não sobre as escolhas dos outros. O outro prometeu e não cumpriu? Bom, isso deveria ser um problema dele, não seu. Ah tá, mas a escolha dele te afetou diretamente? Então aprenda a não contar com os ovos antes da galinha. Conte com aquilo que você tem hoje. Tudo o que se é prometido pode ser jogado aos ventos por dois motivos: primeiro porque somos seres mutáveis, então o interesse/desejo de uma pessoa hoje pode não ser o mesmo de amanhã. Segundo porque o futuro é incerto. Milhares de coisas podem acontecer e a pessoa pode se ver obrigada a seguir alguns caminhos que a levem a quebrar a promessa que ela te fez. Se isso está certo ou não, aí já é outra questão e, sinceramente, não perca seu tempo filosofando sobre isso porque, novamente, isso só te manterá no estado mental de vítima e/ou de julgamento.

Quer fazer uma escolha inteligente? Então escolha tomar as rédeas da sua vida! Em outras palavras, não permita que outras pessoas ditem as regras da sua felicidade, não coloque a sua felicidade nas mãos de outra pessoa. Faça planos sim, mas esteja preparado para mudanças no meio do caminho. E, melhor: esteja atento para cada mudança de plano. Isso diz muito sobre você mesmo, sobre os seus anseios e as suas necessidades. Nós criamos os nossos caminhos, até mesmo os mais tortuosos. São esses os caminhos que nos levam ao crescimento, ao autoconhecimento, à evolução pessoal.

Faça somente aquilo que você está disposto a fazer porque vai te fazer se sentir bem. Você se sente bem ajudando o outro? Então faça-o de coração aberto, sem cobranças, sem expectativas. Faça pelo simples prazer de se sentir útil, de poder ajudar, sem esperar nada em troca. Difícil colocar isso em prática? Então faça uma sessão de TFT e livre-se das suas inseguranças, dos seus receios e suas carências. O TFT também pode te ajudar a aceitar as pessoas como elas são e a dissolver mágoas profundas. Ainda não sabe como o TFT funciona? Clique aqui e conheça mais sobre essa técnica!

Por fim, o conselho que dou para todos os que sofrem com mágoas e ressentimentos é: “Quer ser feliz? Crie porcos, crie galinhas, crie vacas, mas por favor, não crie expectativas!”

Um abraço e até o próximo post!

Kátia Figueiredo

Receita para acabar com a mágoa
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